Educação

Por que você não pode voar logo depois de mergulhar?

Entenda por que existe um tempo mínimo de espera antes de voar depois de mergulhar — e quais são esses intervalos, segundo DAN e PADI.

por Equipe Búzios Divers01 de maio de 20267 min de leitura
Mergulhador nadando ao lado de duas tartarugas marinhas

Se você já mergulhou e tem um voo marcado logo depois, provavelmente já ouviu que é preciso esperar antes de voar depois de mergulhar. Essa não é uma recomendação vaga — existem intervalos mínimos bem definidos, estabelecidos por organizações como a DAN (Divers Alert Network) e a PADI, e eles existem por um motivo fisiológico bem específico.

Durante qualquer mergulho, o corpo absorve nitrogênio do gás que respiramos, proporcional à profundidade e ao tempo de exposição. Enquanto estamos ainda sob pressão, esse nitrogênio permanece dissolvido no sangue e nos tecidos sem causar problema algum. O processo de eliminar esse nitrogênio de volta, aos poucos, depois de voltar à superfície, é chamado de 'off-gassing', e leva tempo — não termina no instante em que você sai da água.

É aí que voar entra como um risco. A cabine de um avião comercial é pressurizada, mas não ao nível do mar — a pressão dentro da cabine equivale à de uma altitude de cerca de 2.400 metros. Essa queda de pressão faz com que o nitrogênio ainda dissolvido no corpo tenda a formar bolhas mais rapidamente do que aconteceria ao nível do mar, o que pode causar a Doença Descompressiva (DCS) — o mesmo problema que as paradas de descompressão e os limites de mergulho existem para evitar.

Por isso, voar cedo demais depois de mergulhar pode desencadear ou agravar sintomas de DCS, mesmo em mergulhos recreativos que respeitaram todos os limites de não descompressão. O corpo simplesmente ainda não teve tempo suficiente para eliminar o excesso de nitrogênio antes de ser exposto a uma pressão ambiente mais baixa.

Os intervalos mínimos recomendados por DAN e PADI variam de acordo com o histórico de mergulho do dia (ou dos dias) anteriores ao voo. Depois de um único mergulho recreativo sem parada de descompressão, o mínimo recomendado é de 12 horas antes de voar.

Se você fez múltiplos mergulhos no mesmo dia, ou mergulhou em mais de um dia seguido, esse intervalo mínimo sobe para 18 horas antes de voar. Esse é, na prática, o cenário mais comum para quem está de viagem de mergulho e tem um voo de volta marcado — vale planejar a última data de mergulho com essa margem em mente.

Já depois de qualquer mergulho que exigiu paradas de descompressão obrigatórias — algo mais comum no mergulho técnico —, o intervalo mínimo recomendado sobe para 24 horas antes de voar. Em qualquer um desses casos, vale reforçar: esses números são intervalos mínimos, não garantias. Esperar mais tempo do que o mínimo recomendado é sempre a opção mais conservadora e mais segura, especialmente se você fez muitos mergulhos ao longo da viagem.

Na prática, o mais simples é planejar o próprio roteiro pensando nisso desde o início: se o seu voo de volta é de manhã, o ideal é não mergulhar no dia anterior à noite, e reservar o seu último mergulho da viagem com folga suficiente antes do embarque. Em caso de dúvida sobre o seu caso específico, a nossa equipe pode ajudar a planejar o cronograma de mergulhos da sua estadia em Búzios com esse intervalo em mente.